Dirigi Teslas por 12 anos. Essa semana, o carro finalmente dirigiu por mim.
No final de semana aluguei um Cybertruck com FSD v14.3 e Grok mode para rodar com a família.
Passei o destino por voz para o Grok. O Cybertruck saiu sozinho do estacionamento do shopping, manobrou entre as vagas, seguiu as placas de saída, desceu a rampa, rodou 20 minutos no trânsito até o destino, encontrou uma vaga livre e estacionou. Pela primeira vez em mais de uma década dirigindo Teslas, não toquei no volante uma única vez. Incrivel 😮!
Testei os diversos modos de direção que variam do Sloth (bicho-preguiça) até o Mad Max, e o carro dirigiu melhor do que eu (o que, convenhamos, não é grande vantagem).
Sou fã da marca desde 2012. Sempre foi menos pela eletrificação e mais pela promessa do carro autônomo.
Por muito tempo, foi só promessa. Há uns 6 anos, em uma road trip pela Califórnia, percorremos 1.600 km em 10 dias com Autopilot. Impressionante para a época, mas longe do que Elon prometia.
A virada começa a partir de 2020, sob a liderança de Andrej Karpathy (diretor de IA da Tesla entre 2017 e 2022): a empresa abandona o sistema especialista baseado em regras e faz um giro de 180 graus rumo a redes neurais end-to-end.
Em 2023, com o FSD v12, 300 mil linhas de código em C++ foram substituídas por ~3 mil que apenas ativam o modelo. O carro aprende a dirigir assistindo humanos. Software 2.0 na prática.
É um dos melhores exemplos de IA indo muito além dos LLMs e entrando nos "world models", sistemas que entendem e reagem ao mundo físico em tempo real. Peça fundamental para os robôs autônomos, uma das próximas grandes ondas da IA.
Tecnicamente, finalmente chegamos lá. Agora falta a regulação correr atrás:
- Quando teremos FSD sem precisar manter o olhar na estrada?
- Quantas cidades fora dos EUA vão ter isso nos próximos 2 anos?
- Esses sistemas vão conseguir lidar com o trânsito brasileiro?
Publicado originalmente no LinkedIn de Pedro Ripper.