Pedro. ← Insights
IA & Aprendizado

Gastei tempo demais no projeto de IA errado. E faria de novo.

Pedro Ripper 1 de junho de 2026 4 min de leitura
Expectativa (2 horas) versus realidade (semanas, escopo furado) de um projeto de IA.

Há uns dois meses comecei um projeto de IA que eu achava que levaria duas horas: só queria entender se estava usando bem o LinkedIn.

Terminei com um plugin de Chrome, um banco de dados e uma plataforma de analytics de posts com IA, ponta a ponta. Levou mais de uma dúzia de horas. Furou o escopo. Hoje, sei que foi tempo demais em um tema secundário.

E, ainda assim, faria de novo. Deixa eu explicar.

Tem duas narrativas sobre como um executivo ou colaborador deve incorporar IA no dia a dia.

A primeira: comece por casos de uso pequenos e laterais, de baixo risco, para ganhar repertório e separar o hype da realidade do que os modelos entregam hoje em cada domínio.

A segunda: ataque o estrutural desde o início, com um objetivo que mova o ponteiro, e suba a barra conforme ganha confiança. O resto é distração. Tem mérito, mas traz um desafio próprio: um tema desse tamanho parece inatingível, e isso trava o primeiro passo.

Eu fiquei no meio, e me encantei com os exemplos do primeiro caminho. Trouxeram insights que apliquei na Bemobi. Mas o encanto tem um custo: a distração do que importa. A minha plataforma de LinkedIn foi exatamente isso.

Aqui vem a parte incômoda. Eu mesmo escrevi um post chamado “O caminho seguro, confortável e ERRADO”. Mas aqui o confortável não é o erro. O erro de verdade é não começar, mesmo que você chegue ao que importa só na segunda etapa. Caminho 1, caminho 2 ou híbrido importa menos do que isso.

Já deve estar claro o que penso: a IA não vai substituir você. Quem entende de IA, sim. Ela vai separar quem se alavanca na tecnologia de quem ficou parado. No agregado, é isso que vai definir quais empresas vencem daqui pra frente, e vale para profissionais em qualquer nível.

Hoje, no retrovisor, meu projeto foi distração. Começar nunca foi o problema. Foi não saber a hora de parar. Faltou cortar as perdas mais cedo, em vez de ir fundo na tangente atrás de ganhos cada vez mais marginais.

A tese de experimentar para aprender continua de pé. Só que exige uma disciplina que me faltou: o stop-loss nos temas que não são centrais.

O tempo “perdido” comprou repertório de IA. E repertório, nesse momento, é o ativo que menos quero economizar.

Nos próximos posts vou abrir alguns desses projetos.

O do LinkedIn é o que fugiu do controle. Para mim já virou mais distração que aprendizado, mas o que é distração para uns é central para outros: para times de Marketing, ou quem vive da rede, pode ser muito útil. Passo a bola (e o Git) para quem quiser continuar.

O outro é uma base de conhecimento de saúde. Esse não foi distração nenhuma: é o projeto que me fez levar IA a sério, e rendeu aplicação direta na Bemobi, em dar melhor contexto às IAs.

Qual você quer primeiro: o que fugiu do controle ou o que mudou meu jogo? Me diz nos comentários (LinkedIn ou Saúde).

Publicado originalmente no LinkedIn de Pedro Ripper.