Conselhos de administração: distração ou oxigenação para um CEO empreendedor?
Já me perguntaram muitas vezes por que, sendo CEO e co-fundador de uma empresa listada, invisto tempo em conselhos de administração de outras empresas. As provocações vêm de dois ângulos.
A primeira é o foco. Toda hora dedicada a um conselho compete com a operação principal. É verdade.
A segunda é a assimetria entre risco e retorno. Como conselheiro independente em companhia aberta, você assume responsabilidade fiduciária relevante, com dever reforçado de representar o minoritário. Se o critério for puramente remuneração, raramente compensa.
Não discordo dos dois pontos. Por isso, dosimetria e escolha da empresa correta são chave. Não mais que um ou dois conselhos fora do meu papel na Bemobi, e só em empresas que tragam algo novo e justifiquem o tempo e a responsabilidade
Os critérios que aplico:
- Indústrias novas, onde possa maximizar o aprendizado, mas com senso crítico sobre onde também consigo agregar. Trago bagagem em estratégia, tecnologia, pagamentos e IA. E ter sido CEO de grandes empresas, inclusive multinacionais, e empreendedor, me dá sensibilidade sobre o balanço entre o papel do conselheiro e o do executivo.
- Empresas em que sou fã, e onde possa conviver com pessoas que admiro. Quando há um empreendedor à frente, melhor ainda
Tive a sorte de entrar em conselhos relativamente “jovem”, há uns 12 anos. Alguns que ilustram bem:
- Na Positivo Tecnologia, mergulhei em fabricação, supply chain e P&D, e virei amigo de Hélio Rotenberg, um dos maiores empreendedores que conheci.
- Na Vibra Energia, acompanhei a transição de uma estatal para uma true corporation após o follow-on de privatização. Uma aula sobre operar em controle pulverizado, ao lado de pessoas incríveis.
- No Iguatemi S.A., vivi um caso exemplar de profissionalização de uma empresa familiar de muito sucesso. A família Jereissati, com Carlinhos, Pedro e Erika, construiu uma governança e um conselho de debates muito ricos
Mas talvez o aprendizado mais subestimado seja outro: estar em conselhos diversos te forma também como empreendedor. Vivi conselhos disfuncionais e outros que funcionam muito bem. Essa exposição me deu clareza sobre que tipo de governança queria construir na Bemobi
Publicado originalmente no LinkedIn de Pedro Ripper.